Banco deve indenizar cliente vítima de golpe da falsa central em R$ 171 mil

banco deve indenizar cliente vítima de golpe

Uma cliente que perdeu mais de R$ 151 mil após ser vítima de um golpe da falsa central de atendimento deverá ser indenizada pela instituição financeira. A Justiça do Espírito Santo reconheceu falha nos mecanismos de segurança do banco e determinou a restituição dos valores, além do pagamento de R$ 20 mil por danos morais.

A decisão também declarou nulos dois empréstimos contratados durante a fraude e afastou a cobrança de débitos lançados no cartão de crédito da correntista.

O caso chamou atenção não apenas pelo valor do prejuízo, mas pela forma como os criminosos conseguiram convencer a vítima de que estava falando com o próprio banco.

Cliente recebeu ligação que aparentava ser da central do banco

Segundo o processo, a cliente recebeu uma ligação em setembro de 2024 que aparecia em seu telefone como sendo proveniente do número oficial da instituição financeira.

Durante a chamada, o interlocutor se apresentou como integrante do setor de segurança do banco e informou que havia movimentações suspeitas na conta. Os criminosos também possuíam informações sobre os dispositivos móveis utilizados pela correntista, o que reforçou a aparência de legitimidade do contato.

Após seguir as orientações recebidas durante a ligação, a cliente percebeu que diversas operações haviam sido realizadas em sua conta. Entre elas estavam o resgate de investimentos, a contratação de dois empréstimos e transferências via Pix. O prejuízo chegou a R$ 151.456,13.

O banco, por sua vez, alegou que as operações haviam sido realizadas com a utilização das credenciais e senhas da própria cliente e sustentou a existência de culpa exclusiva da vítima ou de terceiros.

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Justiça reconheceu falha de segurança do banco

Ao analisar o caso, o juiz entendeu que a correntista havia sido vítima de spoofing, técnica utilizada para mascarar a origem de uma ligação e fazer com que o número exibido no telefone da vítima pareça ser o de uma instituição legítima.

A decisão também considerou relevante o fato de os fraudadores possuírem informações específicas sobre a cliente, incluindo dados relacionados aos aparelhos cadastrados em sua conta.

Além disso, as operações realizadas durante a fraude apresentavam características que destoavam significativamente do comportamento habitual da correntista. Foram contratados dois empréstimos em sequência, nos valores de R$ 73.468,80 e R$ 43.829,81. Depois, os valores e outros recursos disponíveis foram transferidos por meio de Pix e outras operações.

Para o magistrado, esse conjunto de movimentações deveria ter acionado os mecanismos de segurança da instituição financeira.

Diante disso, a Justiça afastou a alegação de culpa exclusiva da consumidora e reconheceu que o banco deveria ter identificado a atipicidade das operações e adotado medidas preventivas.

Cliente terá valores restituídos e receberá indenização

Com a decisão, os dois empréstimos realizados durante a fraude foram declarados nulos, assim como os débitos de cartão de crédito relacionados ao golpe.

O banco também foi condenado a restituir R$ 151.456,13, valor correspondente às quantias perdidas pela cliente por meio de Pix, transferências e pagamentos realizados durante a fraude. Além da restituição, a instituição deverá pagar R$ 20 mil por danos morais.

Ao fixar a indenização, a Justiça considerou que a situação ultrapassou um simples transtorno. A cliente sofreu um prejuízo expressivo, teve empréstimos contratados fraudulentamente em seu nome e precisou buscar soluções para tentar resolver o problema.

O banco também foi condenado ao pagamento de multa pelo descumprimento de uma tutela de urgência concedida durante o processo, cujo valor será apurado posteriormente, observado o limite de R$ 200 mil.

Golpes da falsa central exigem atenção redobrada

O golpe da falsa central de atendimento utiliza diferentes estratégias para convencer a vítima de que ela está falando com um funcionário do banco.

Em alguns casos, os criminosos conseguem fazer com que o número exibido na tela do celular seja semelhante ou até mesmo igual ao utilizado oficialmente pela instituição. Também podem utilizar informações pessoais da vítima para tornar a abordagem mais convincente.

Por isso, receber uma ligação que aparentemente parte do número oficial do banco não significa, por si só, que o contato seja verdadeiro.

A decisão reforça ainda a importância da análise das circunstâncias concretas de cada caso. Quando operações fraudulentas apresentam características incompatíveis com o histórico de movimentações do cliente, a atuação dos mecanismos de segurança da instituição financeira pode se tornar um ponto central na discussão sobre a responsabilidade pelo prejuízo.

Se você foi vítima de uma fraude bancária e teve prejuízos após movimentações, empréstimos ou transferências que não reconhece, é importante analisar cuidadosamente as circunstâncias do caso e as medidas que podem ser adotadas.

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