Golpe do falso advogado: como funciona, como identificar e o que fazer se você foi vítima

golpe do falso advogado

Receber uma mensagem no WhatsApp de alguém que se apresenta como seu advogado ou como integrante do escritório responsável pelo processo pode não causar estranhamento imediato. Em muitos casos, o contato utiliza o nome e a foto de profissionais reais e até informações verdadeiras sobre o andamento da ação para tornar a conversa mais convincente.

A mensagem pode informar, por exemplo, que o processo foi resolvido, que um valor está prestes a ser liberado ou que falta apenas uma última providência para encerrar o caso.

Para quem aguarda há algum tempo por uma solução na Justiça, uma notícia como essa pode gerar expectativa e alívio. É justamente nesse momento que os criminosos podem se aproveitar da vulnerabilidade da vítima.

A partir dessa abordagem, a vítima pode ser levada a acreditar que está recebendo uma informação verdadeira sobre o próprio processo e, diante de uma suposta urgência, realizar pagamentos ou transferências.

Por isso, entender como esse golpe funciona é importante para reconhecer abordagens suspeitas e evitar que a expectativa de uma solução para o processo seja utilizada como instrumento de fraude.

O que é o golpe do falso advogado?

O golpe do falso advogado é uma fraude em que criminosos se passam por advogados ou por integrantes de escritórios de advocacia para enganar pessoas que possuem processos em andamento.

Para tornar o contato mais convincente, os golpistas podem utilizar informações relacionadas ao caso, além de dados que ajudam a criar a aparência de uma comunicação legítima.

Embora a fraude possa assumir diferentes formas, geralmente segue um roteiro semelhante.

Em geral, o criminoso entra em contato pelo WhatsApp utilizando um perfil que imita o advogado ou o escritório responsável pelo processo. Durante a conversa, apresenta uma informação que parece relevante para o andamento do caso.

Entre as situações que podem ser utilizadas pelos golpistas estão:

  • a informação de que houve uma decisão favorável;
  • a alegação de que o processo foi encerrado;
  • a suposta liberação de um valor;
  • a necessidade de cumprir uma última providência antes do recebimento do dinheiro.

Depois, surge uma cobrança. A vítima pode ser orientada a realizar um Pix para o pagamento de supostas custas, taxas, impostos ou outras despesas relacionadas à liberação do valor.

A urgência também costuma fazer parte da estratégia. O objetivo é levar a pessoa a agir rapidamente, antes de confirmar a informação com o advogado ou escritório verdadeiro.

Quais são os principais sinais do golpe do falso advogado?

Alguns elementos da abordagem podem servir como sinais de alerta, especialmente quando aparecem acompanhados de pedidos inesperados de pagamento.

Entre eles estão:

  • pedido de Pix para liberar um valor relacionado ao processo;
  • cobrança inesperada de taxas, custas ou impostos;
  • pressão para realizar uma transferência imediatamente;
  • contato feito por um número diferente do utilizado habitualmente pelo advogado ou escritório;
  • orientação para não confirmar a informação por outros canais;
  • pedidos de pagamento que não haviam sido previamente comunicados.

Também é importante ter cuidado quando o contato parece muito convincente. O fato de a pessoa conhecer informações sobre o processo não é, por si só, uma garantia de que ela realmente representa o advogado ou o escritório.

Como os golpistas conseguem informações sobre o processo?

Uma das situações que mais convence as vítimas é perceber que a pessoa do outro lado da conversa conhece detalhes reais sobre o seu processo.

No entanto, o fato de alguém possuir informações corretas sobre uma ação judicial não significa, por si só, que o contato seja verdadeiro.

Dependendo do caso e do tipo de informação, dados processuais podem estar disponíveis em sistemas de consulta pública dos tribunais. A partir dessas informações, criminosos podem identificar as partes envolvidas, advogados e outros dados relacionados ao processo.

Além disso, informações pessoais e dados relacionados a processos também podem ser obtidos por outros meios, inclusive por meio de vazamentos, exposição indevida de dados ou outras práticas utilizadas por criminosos.

Com essas informações em mãos, o golpista consegue construir uma abordagem muito mais convincente. Saber o nome do advogado, mencionar um processo em andamento ou informar detalhes sobre uma situação que a vítima realmente está enfrentando pode fazer com que a fraude pareça legítima à primeira vista.

Por isso, mesmo quando a mensagem contém informações verdadeiras sobre o processo, é importante confirmar a identidade de quem entrou em contato antes de realizar qualquer pagamento ou transferência.

Foi vítima de uma fraude ou golpe digital?

Se você teve prejuízos por transferências indevidas, golpes, empréstimos não reconhecidos ou invasão de contas, nossa equipe pode analisar seu caso e orientar sobre as medidas jurídicas cabíveis.

O que fazer se você recebeu uma mensagem suspeita?

Se você recebeu uma mensagem de alguém que se apresenta como seu advogado ou integrante do escritório, mas o contato levantou alguma dúvida, a recomendação é não agir por impulso.

Antes de realizar qualquer pagamento ou fornecer novas informações, algumas medidas podem ajudar:

  1. Não faça nenhum pagamento imediatamente. Mesmo que a pessoa alegue que existe um prazo urgente ou que um valor será perdido, confirme a informação antes de realizar qualquer transferência.
  2. Não forneça informações pessoais, senhas ou códigos. Esses dados podem ser utilizados pelos criminosos para ampliar a fraude.
  3. Entre em contato com o advogado ou escritório pelos canais oficiais. Utilize o número de telefone que você já conhece ou outros meios de contato divulgados oficialmente para confirmar se a mensagem realmente foi enviada pela equipe responsável pelo processo.
  4. Guarde todas as provas da tentativa de golpe. Salve prints das conversas, o número utilizado, comprovantes e qualquer outra informação que possa ajudar na identificação da fraude.
  5. Verifique a identidade do profissional. A OAB disponibiliza a plataforma ConfirmADV, criada para auxiliar na confirmação da identidade de advogados e reduzir os riscos relacionados ao uso indevido de seus dados por criminosos.

O mais importante é não se deixar levar pela expectativa de receber uma notícia positiva sobre o processo. Os golpistas sabem que uma decisão favorável ou a liberação de um valor pode gerar ansiedade e esperança em quem aguarda há meses — ou até anos — pela solução de um caso. É justamente essa vulnerabilidade que pode ser explorada para fazer com que a vítima tome uma decisão sem confirmar primeiro quem está do outro lado da conversa.

Fiz um Pix para um falso advogado. O que fazer?

Descobrir que realizou uma transferência para criminosos que se passaram por seu advogado ou pelo escritório responsável pelo processo pode gerar desespero. Ainda assim, é importante agir o mais rápido possível e reunir todas as informações relacionadas à fraude.

Algumas medidas que podem ser tomadas são:

  1. Entre em contato imediatamente com o banco. Informe que foi vítima de uma fraude e explique como a transferência ocorreu. Dependendo das circunstâncias, também pode ser possível solicitar a contestação da operação e verificar as medidas disponíveis para tentar recuperar os valores.
  2. Guarde todas as provas. Salve as conversas com os golpistas, prints do perfil utilizado, números de telefone, comprovantes de Pix e qualquer outra informação relacionada ao contato.
  3. Registre um boletim de ocorrência. O registro ajuda a formalizar a ocorrência da fraude e pode ser importante para documentar o caso.
  4. Comunique o advogado ou escritório verdadeiro. Além de confirmar que o contato foi realmente fraudulento, essa medida pode ajudar o profissional a tomar providências para alertar outros clientes que eventualmente também estejam sendo abordados pelos criminosos.
  5. Busque orientação jurídica, quando necessário. Cada fraude possui circunstâncias próprias, especialmente em relação à forma como o contato ocorreu, às informações utilizadas pelos criminosos e às medidas adotadas após o golpe.

O banco é responsável quando a vítima faz um Pix para um falso advogado?

A realização de um Pix para uma conta indicada por criminosos não significa, por si só, que o banco será automaticamente responsável pelo prejuízo.

A possibilidade de responsabilização da instituição financeira depende das circunstâncias de cada caso e da análise de fatores relacionados à própria fraude e aos mecanismos de segurança envolvidos na operação.

Entre os aspectos que podem ser discutidos estão, por exemplo, a existência de movimentações incompatíveis com o perfil do cliente, a adoção de medidas de segurança pela instituição e a eventual falha na prestação do serviço.

No caso do golpe do falso advogado, essa análise também deve considerar as particularidades da situação. O simples fato de a vítima ter sido enganada e realizado uma transferência acreditando estar falando com seu advogado não permite concluir, antecipadamente, que haverá direito ao ressarcimento.

Quem sofreu prejuízos em golpes desse tipo pode buscar orientação para analisar as circunstâncias do caso e verificar as medidas que podem ser adotadas.

Quando procurar orientação jurídica?

O golpe do falso advogado pode causar prejuízos financeiros importantes e ser ainda mais angustiante para quem acreditava estar tratando de um processo que já aguardava há algum tempo.

Se você realizou um Pix ou outro pagamento acreditando estar falando com seu advogado ou com integrantes do escritório responsável pelo seu caso, e encontrou dificuldades para resolver a situação ou recuperar os valores, uma análise individual das circunstâncias da fraude pode ser necessária.

Garcia & Moraes Advogados Associados atua em casos envolvendo fraudes bancárias e golpes digitais e pode analisar as particularidades da situação para orientar sobre as medidas jurídicas cabíveis.

Entre em contato com nossa equipe para conversar sobre o seu caso.

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