Um idoso perdeu R$ 200 mil após ser enganado por criminosos que se passaram por funcionários de banco e o convenceram de que sua conta estava sendo invadida.
A transferência ocorreu durante a noite e chamou a atenção da Justiça porque o valor enviado era muito superior ao limite de Pix cadastrado para aquele horário. O caso foi analisado pela 12ª Vara Cível de Santo Amaro, em São Paulo.
Idoso foi enganado por falsos funcionários do banco
O consumidor, aposentado e de perfil financeiro conservador, recebeu uma ligação de fraudadores que tinham informações sobre seus investimentos e seu saldo bancário.
Os criminosos fizeram o idoso acreditar que sua conta estava sendo invadida. Com isso, ele resgatou praticamente toda a sua reserva financeira.
Depois, às 21h24, realizou uma transferência de R$ 200 mil para uma empresa que não fazia parte de sua movimentação habitual.
O cliente comunicou o ocorrido ao banco e também registrou a fraude perante as autoridades.
Transferência era 200 vezes maior que o limite
Um dos principais pontos analisados pela Justiça foi o limite de transferência que estava cadastrado na conta.
Para o período entre 20h e 5h59, o limite de Pix do cliente era de R$ 1 mil. Mesmo assim, o sistema permitiu uma transferência de R$ 200 mil durante a noite.
O valor enviado, portanto, era 200 vezes maior que o limite estabelecido para aquele horário.
Para o juiz Théo Assuar Gragnano, essa diferença deveria ter acionado mecanismos de segurança do banco, especialmente porque a movimentação também não correspondia ao histórico financeiro do cliente.
Banco deveria ter identificado movimentação fora do padrão
A Justiça considerou que a transferência apresentava várias características incomuns ao mesmo tempo.
Além do valor elevado, a operação ocorreu à noite, foi destinada a uma conta de terceiro e aconteceu logo depois de o idoso resgatar praticamente toda a sua reserva financeira.
O juiz também destacou que o banco não apresentou registros técnicos capazes de demonstrar uma alteração válida do limite de Pix pelo cliente ou a atuação de mecanismos de segurança diante da movimentação atípica.
Segundo a sentença, as instituições financeiras devem utilizar recursos capazes de identificar operações que destoem do perfil de seus clientes e adotar medidas adicionais de segurança quando necessário.
Banco terá de devolver o dinheiro perdido no golpe
Embora a transferência tenha sido autorizada pelo próprio cliente após ser enganado pelos criminosos, o juiz entendeu que isso não afastava a responsabilidade do banco pelas circunstâncias específicas do caso.
A sentença considerou que houve falha na prestação do serviço porque a instituição permitiu uma operação que apresentava sinais relevantes de fraude.
Por isso, o banco foi condenado a devolver R$ 200 mil ao idoso, com correção monetária e juros conforme determinado na decisão.
O que fazer ao receber uma ligação suspeita?
O golpe da falsa central costuma começar com uma ligação em que o criminoso afirma existir um problema na conta e tenta convencer a vítima a realizar alguma operação.
O banco não deve ser informado apenas pelo número que aparece na chamada. Se receber uma ligação desse tipo, encerre o contato e procure a instituição pelos canais oficiais.
Também é importante não fornecer senhas, códigos de segurança ou outras informações solicitadas durante uma ligação inesperada.
Se você foi vítima de um golpe bancário e teve dinheiro retirado da sua conta, o Garcia e Moraes pode analisar as circunstâncias da fraude e verificar se existem elementos que permitam discutir a responsabilidade da instituição financeira.
